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Alimentos que diminuem espinhas: o papel da nutrição no combate à acne

Alimentos que diminuem espinhas: o papel da nutrição no combate à acne

02/06/2017

Por ser uma área da qual trato muito em meu consultório, posso dizer, com propriedade, que existem, sim, alimentos que diminuem espinhas e que é nítido e eficaz o efeito de uma dieta saudável no tratamento da doença. Quando pensamos em acne ou em qualquer problema de pele, dificilmente consideramos ir a uma nutricionista. Mas deveríamos! Se pararmos para pensar, não há como excluir, de nenhum tratamento de pele, as consequências de uma má alimentação.

Nossas células são comandadas por nutrientes e nosso organismo funciona como uma orquestra. Por isso, é fundamental harmonizarmos o equilíbrio interno para que o exterior se mantenha saudável.

Por que alimentos que diminuem espinhas devem ser priorizados na dieta

Neste artigo, explicarei um pouco sobre os mecanismos alimentares que podem induzir à acne.

Inflamação

Hoje, a alimentação de grande parte das pessoas é baseada em alimentos industrializados, óleos refinados e frituras, todos eles ricos em gorduras trans e ômega 6, potentes pró-inflamatórios que contribuem para a piora do quadro de acne. Como acabamos consumindo muito mais fontes de ômega 6 do que de ômega 3, geramos mais inflamação. Quando aumentamos o consumo de alimentos fontes de ômega 3, acontece o inverso: melhoramos a situação.

Resistência à insulina

A dieta moderna é rica em farinhas e açúcares. A oferta de pães, bolos, doces e biscoitos é enorme, o que nos torna reféns dos carboidratos refinados. Uma alimentação com alto índice glicêmico pode levar à resistência à insulina*, ou seja, quando o corpo tem dificuldade em fazer com que a glicose seja absorvida pelas células dos tecidos e ela se acumula no sangue.

O excesso de insulina no organismo leva a um aumento na produção de hormônios masculinos, o que piora o quadro de acne, pois aumenta a formação de sebo.

Sabemos que o fator genético influencia muito no aparecimento da resistência à insulina. Quando há casos de diabetes tipo 2, síndrome do ovário policístico e acne na família, a chance de ocorrência, com certeza, é maior. Mas a dieta alimentar faz toda a diferença no processo, por isso, nem sempre podemos culpar a genética.

Além dos alimentos ricos em glicose, o leite vem sendo muito estudado, pois possui constituintes hormonais e fatores que influenciam a produção endógena hormonal em quantidade suficiente para causar efeito biológico.

Quando levanto a associação do leite ao aparecimento da acne, muitos pacientes argumentam que não bebem o produto, mas esquecem que o acabam consumindo em diversos alimentos e, também, em seus derivados.

Mas, se o leite não tem um índice glicêmico alto, por que ele piora a acne?

Os estudos mais recentes analisam o potencial insulinêmico do leite, ou seja, se sua constituição de aminoácidos (proteínas) é capaz de elevar os níveis de insulina no sangue da mesma forma que a dos açúcares. Outra hipótese é a combinação dos aminoácidos com a lactose. O que se pode afirmar, de qualquer forma, é que o principal fator agravante da acne é o soro do leite, onde são encontradas as proteínas. Portanto, não adianta consumir o leite na forma desnatada ou seus derivados mais magros, pois, em todos, a proteína estará presente.

E como podemos melhorar o quadro?

A dieta alimentar pode ser determinante no tratamento da acne. Claro que, inicialmente, é preciso eliminar o excesso de açúcares, doces, aditivos químicos, gorduras trans, carne vermelha, leite de vaca e derivados. O chocolate pode ser consumido, desde que na versão amarga com teor de cacau acima de 70% e sem leite.

Nutrientes determinantes no tratamento da acne

Pensando nos mecanismos de inflamação e resistência à insulina, podemos contribuir, e muito, para a melhora e a cura da acne consumindo alimentos que diminuem espinhas, onde encontramos os seguintes nutrientes:

  • ômega 3 – diminui a secreção de insulina e melhora a resistência à substância, além de ser anti-inflamatório;  
  • zinco – muitos estudos vêm relatando a deficiência de zinco em pacientes com acne. O zinco tem ação anti-inflamatória e, ainda, inibe a produção de uma enzima (5 alfa-redutase) que converte a testosterona em dihidrotestosterona, aumentando a acne. Boas fontes de zinco são ostras, oleaginosas (castanhas, nozes) e cereais integrais;
  • ácido pantotênico (vitamina B5) – sua deficiência aumenta o desequilíbrio no metabolismo de ácidos graxos e hormônios sexuais. A B5 melhora a tolerância aos alimentos ricos em gordura, diminuindo a oleosidade e a produção de sebo. Fontes alimentares: semente de girassol, salmão, cogumelos, oleaginosas e ovo;
  • nicotinamida (vitamina B3) – associada ao zinco, diminui a inflamação e a produção de sebo e tem ação bactericida;
  • biotina – alimentos que diminuem espinhas e fontes desse nutriente: amêndoas, castanhas, ovo, salmão, abacate, tomate e banana;
  • vitamina A – a deficiência de vitamina A parece ser maior em pacientes com acne, e o grau das lesões também pode ter relação com os níveis do nutriente. Fontes alimentares: cenoura, espinafre e brócolis;
  • magnésio – atua em mais de 300 processos enzimáticos, na inflamação e na resistência à insulina. Fontes alimentares: folhas verde-escuras, oleaginosas, abacate, banana e cereais integrais;
  • cromo – atua em várias enzimas que participam do metabolismo da glicose. Fontes alimentares: ovos, frango, cogumelos e cereais integrais;
  • enxofre – é conhecido por sua atividade reguladora de secreção sebácea, sendo utilizado no tratamento da oleosidade excessiva da pele. Fontes alimentares: peixes, lentilha, ervilha e vegetais crucíferos (brócolis, couve-de-bruxelas, rúcula, couve).

É importante frisar que nem todos os nutrientes são supridos através da ingestão de alimentos que diminuem espinhas. Muitas vezes, é necessário suplementar, pois doses mais altas são essenciais para o tratamento. Além das vitaminas e minerais, os fitoterápicos são de grande ajuda, porque minimizam os efeitos da resistência à insulina, a inflamação e a vontade de comer doces. Plantas como Cynamomonn zeylanicum, Bitter melon, Saw palmeto, Urtica dioica, Pygeum africanum e Galato de epigalocatequina (EGCG) podem auxiliar no tratamento, mas devem ser utilizadas somente quando prescritas por seu médico ou por um nutricionista.

*Resistência à insulina é o termo empregado quando a insulina que circula no sangue não tem sua atividade realizada de forma plena. A insulina é o hormônio que controla as taxas de glicose no organismo. Ela é responsável pela entrada de glicose nos diversos órgãos e tecidos, incluindo o fígado, os músculos e o tecido adiposo. Quando o indivíduo é resistente à insulina, seu pâncreas produz o hormônio, mas não consegue completar o processo, fazendo com que a glicose permaneça circulante na corrente sanguínea e não seja utilizada corretamente pelas células.

 

Dra. Ana Carolina Abreu
Nutricionista
CRN 10/1453